Quem se dispõe a navegar - velejar - bordejar de Saveiro, já sabe ou vai aprender uma nova lógica de relacionamento com o tempo, com as distâncias, com a natureza.
Fizemos o trajeto de Salvador a Jaguaripe de ida em sete horas, sob o Sol, as vezes sob a sombra de uma nuvem passageira ou pela posição da vela em relação ao Sol.
Na volta, com o emergencial e nunca desejado apoio do motor, fizemos em dez horas, com direito a chuva, vento de frente.
A bordo, conversamos, cantamos e tocamos, cozinhamos, comemos e bebemos, lemos e dormimos. Mas o ponto alto de uma viagem dessa é esvaziar a mente olhando para o horizonte, é ae perder nos pensamentos esquecidos, é respirar ar puro, é curtir a sinfonia do vento e do mar que resiste ao casco do Sombra que insiste em rompê-lo.
O maior benefício de um Bordejo é desintoxicar o corpo, a mente e a alma de trânsito, cidade, gente, tumulto, da rotina.
No desembarque, no retorno, o choque é inevitável, a realidade se impõe e nos questiona: que mundo mesmo queremos viver? Existe vida além da vida que nos abriga e também nos aprisiona. Existem outras formas de viver.
Lá, com os pescadores, com a simplicidade dos simples e despegados, dos leves e dos soltos, aprendemos que, na mesma contemporaneidade, existem outras formas de viver, de ser e existir. Cada uma com os seus custos e benefícios, escolhas e renúncias...
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Condutor de Maquinas III/5(Motorman).
2 mBoa tarde!Eu quero